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| foto // anna f. horta |
O nunca é tão eterno quanto o sempre; uma eternidade aparentemente inalcansável por nós, que somos naturalmente volúveis. E nunca saberemos se um dia ela será alcançada. Um dia morremos e as coisas acabam. (talvez não acabem)
Se fôssemos imortais talvez conseguíssemos "nunca" fazer algo, ou conseguiríamos amar alguém "pra sempre". (talvez sejamos imortais)
Acontece que não nos foi dada a eternidade, pelo menos não que eu saiba. Pelo menos não aqui, nisso que chamamos de existência terrena. E também não sabemos o que acontece realmente depois que morremos, mas você acredita no que quiser. Não sabemos se deixamos de existir. Não sabemos nada sobre a eternidade das coisas. Deduzimos apenas.
E, embora algumas pessoas acreditem nisso, não vivemos nada dessa eternidade também. E somos lamentavelmente românticos o suficiente para acreditar que amamos e somos amados para sempre. Nem sabemos o que é "sempre". Você sabe?
Tudo acaba. Se transforma, na verdade, mas antes acaba. Se você faz um suco de laranja, a laranja acaba, mas você agora tem suco.
Nós não alcançamos o sempre nem o nunca; não somos capazes; acabamos antes. Apodrecemos, nos tornamos outra coisa, viramos suco de laranja. Então pare de exigir eternidade das pessoas; e pare de prometer também.








